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Data Science
Imagem de destaque contendo a fotografia do profissional entrevistado e o título da matéria.

O processo de construção de um Cientista de Dados

Constante evolução tecnológica, Inteligência Artificial, trilhões de gigabytes de dados distribuídos pelo planeta e conexões à Internet extremamente rápidas. Parece haver um enorme volume de informação e conhecimento ao alcance de todos, mas a realidade pode ser diferente para boa parte da população.

Segundo dados da PNAD Contínua 2019, o analfabetismo no país atingia cerca de 6,6% dos brasileiros a partir dos 15 anos de idade (aproximadamente 11 milhões de pessoas). A Região Nordeste concentrava 13,9% da população nesta condição, onde 1/4 das residências não possuía Internet.

Mesmo sendo um incontestável meio para transformar a sociedade, a educação não está disponível para todos, o que ameaça não só o indivíduo, mas toda a sociedade. Extrair valor da tecnologia depende diretamente da qualificação, sendo assim, quanto mais qualificado um povo, mais próxima da evolução plena tende a estar uma nação.

A Ciência de Dados é uma das áreas onde o estudo e a busca por qualificação são constantes. Há um consenso sobre a importância de fatores como a curiosidade e a disposição para atualização contínua.

Neste contexto de desafios impostos para a educação, conversamos com o pessoense e cientista de dados HartB, Dr. Jodavid Ferreira. Em pauta estiveram sua trajetória, visão de futuro sobre o mercado e a importância dos investimentos em pesquisas para o país.

Números e Ciência da Computação

É comum ouvir alguém dizer com certo orgulho frases como “não sou bom de cálculos, sou de humanas”, mas Jodavid esteve do lado oposto desde o início, lidando com números e cálculos com facilidade. Enquanto a comunicação parecia uma coisa complexa, números e tecnologia atraíam a atenção do estudante, que chegou a tentar três vezes o ingresso no curso de Ciência da Computação.

No meio do caminho havia um congresso

Depois das tentativas frustradas, foi o voluntariado em um congresso de computação que trouxe uma informação valiosa, “Conheci um rapaz que havia ingressado em Estatística, e era a primeira vez que eu tinha ouvido falar sobre o curso. Depois de concluir o primeiro período, ele fez a reopção para Ciência da Computação”, contou Jodavid, que vislumbrou um caminho para atingir sua meta: “Então eu vou fazer esse curso, porque posso ingressar e depois mudar para Ciência da Computação”.

O relacionamento sério com a Estatística

Ingressando em Estatística na UFPB (2011), Jodavid acabou contrariando o plano inicial, concluindo a graduação sem sequer tentar mudar para Ciência da Computação. A relação construída com a Estatística era tão sólida, que rendeu em 2016 o Prêmio Inventor. Seu projeto era um sistema de avaliação de treinamento baseado em realidade virtual usando a probabilidade Fuzzy, fruto do seu trabalho de conclusão de curso.

Descobrir que tecnologia e Estatística poderiam trabalhar juntas foi inesperado, mas acabou conquistando em definitivo o jovem pesquisador. Durante a graduação, Jodavid já seguia uma rotina de responsabilidades nos laboratórios, “eram exigidas 20 horas semanais, uma rotina de estudo e pesquisa, estudo e pesquisa”, contou.

Na graduação ocorreu seu primeiro contato com programas de apoio à educação, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica, que rendia cerca de meio salário mínimo. A participação no programa foi fundamental para possibilitar a dedicação integral aos estudos, dividindo os dias em duas fases: aprendizado e produção científica.

O laboratório da universidade, voltado para a realização de trabalhos com estatística espacial foi onde Jodavid iniciou a aplicação prática da estatística para a solução de problemas reais. “Eu trabalhei com dados de dengue e tuberculose, detectando áreas de maior risco de contaminação, por exemplo”, explicou.

Uma rodada dupla de qualificação

Após concluir a graduação, onde atestou que estatística e computação poderiam caminhar lado a lado, resultando em algo ainda maior, Jodavid tinha plena consciência de que diante do cenário econômico e escassez de oportunidades em sua região, buscar uma especialização não era algo opcional.

Somente com a pandemia melhores oportunidades de trabalho começaram a surgir com frequência no Nordeste, impulsionadas pelo home office, que se popularizou conforme as barreiras da distância foram derrubadas à força pela crise. “O cenário atual é diferente do ano em que me formei. A pandemia forçou um novo modelo de trabalho, e com isso oportunidades que até então não chegavam na Paraíba começaram a surgir”, explicou Dr. Jodavid.

Concluída a graduação, era o momento certo para unir a escassez de oportunidades à vontade de vencer. Com isso, Jodavid seguiu fiel à Estatística, emendando Mestrado e Doutorado, agora em novos ares, na Universidade Federal de Pernambuco.

O foco, dedicação e cada escolha do agora Doutor em Estatística, definiram a trajetória que o trouxe até a HartB, onde o pesquisador está progredindo de forma brilhante, enquanto constrói sua carreira como cientista de dados no time HartB desde o primeiro dia útil após a conclusão de seu Doutorado.

Na avaliação de seus pares, Dr. Jodavid apresenta grande capacidade analítica, que quando combinada ao seu jeito observador permite uma aplicação precisa das técnicas que domina. Suas apresentações de resultados também costumam render elogios internamente e pelos clientes.

O próximo passo na jornada do conhecimento

Atualmente Dr. Jodavid segue firme em sua trilha de aprendizado contínuo, e inicia seu Pós-doutorado com ênfase na proposição de métodos de avaliação para dados de treinamento de simuladores virtuais.

Vale a pena destacar como a consciência obtida durante o processo de qualificação se traduz em experiência. O profissional observa de forma crítica sua jornada, “hoje percebo minhas propostas científicas desde a época da graduação e as valorizo, coisa que na época, eu ainda não tinha uma visão ampla, do potencial real de cada aplicação realizada”.

Dr. Jodavid retomará o trabalho iniciado em sua graduação na UFPB, agregando seus resultados do mestrado e doutorado, com o intuito de aplicar a estatística e a ciência de dados para pesquisas importantes na área da saúde.

Quem tende a se beneficiar da Ciência de Dados e IA?

Quando questionado sobre sua visão de futuro para o mercado, Dr. Jodavid destacou setores como saúde, varejo e marketing, apontando também a evolução do agronegócio. Para o cientista, a Inteligência Artificial é um meio eficiente para promover atividades mais transparentes e sustentáveis no campo.

Vivemos uma crise sem precedentes para nossa geração, e Dr. Jodavid destaca o impacto da Ciência de Dados em outro setor, diante de possibilidades como a chegada do 5G, “Há um grande potencial para a saúde e medicina. Acredito que a Ciência de Dados favorecerá cirurgias virtuais, com o uso da robótica, por exemplo. A difusão da combinação entre Ciência de Dados, IA e robótica, atuando através do 5G, é uma boa aposta para um futuro próximo”.

Investir na ciência para progredir

Assim como há um mercado aquecido com dificuldades para encontrar profissionais, há a globalização derrubando barreiras geográficas que limitavam a prestação de serviços. Além da qualificação, dominar um segundo idioma é fator crítico para a empregabilidade, mas, pode não ser um impeditivo duradouro diante dos avanços tecnológicos. Sem a barreira da comunicação em outro idioma, perder profissionais qualificados para economias mais desenvolvidas poderia se tornar uma ameaça ainda maior.

Já na década de 1990 projeções indicavam que poderíamos enfrentar um “apagão” de profissionais de tecnologia, e a dificuldade para preencher os postos de trabalho é notória. Termos como “fuga de cérebros” já ganham destaque nos jornais do país, em referência à emigração de pesquisadores devido à redução de investimentos e fatores que inviabilizam seus trabalhos, resultando num movimento que tende a impedir o avanço da nação em sentidos diversos.

Para Dr. Jodavid, que atuou como pesquisador com o suporte do governo desde a graduação até o doutorado, o país tem muito a perder caso opte por não encarar a ciência como algo essencial. “é importante que entendam a pesquisa como investimento, e não um dos primeiros gastos a ser cortado do orçamento. Não investir em pesquisa tende a custar caro para um país”, explicou.

Autor

Hartb

Inteligência humana gerando inteligência artificial.

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