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Inteligência Artificial Negócios Tecnologia
Uma ilustração com o ano 2022 em destaque e objetos remetendo às ideias de atração, engajamento e resultado

Tendências e destaques na IA para 2022

Com o final do ano chegando, surge um momento característico e oportuno para dois importantes movimentos: o balanço dos resultados do que foi realizado, em que avaliamos os erros e acertos, e o planejamento para os desafios do futuro.

Falamos bastante, nos últimos dois anos, sobre a transformação digital e as mudanças drásticas que enfrentamos, mas também vivenciamos na prática a importante lição de que é possível adiar, mas não impedir o processo de digitalização.

Apresentaremos a seguir a visão dos cientistas de dados HartB sobre áreas e aplicações que devem se destacar no cenário da Inteligência Artificial a partir de 2022.

Contribuição na indústria e no agronegócio

Problemas de conectividade nas áreas rurais prejudicam bastante, e há anos, o desenvolvimento do agronegócio. Contudo, a chegada da tecnologia 5G vem gerando grande expectativa sobre as inúmeras possibilidades oferecidas pela Internet de qualidade no suporte aos processos.

A tecnologia no campo favorece, por exemplo, o monitoramento inteligente de safras por sensoriamento remoto. Com técnicas de machine learning e estatística, por exemplo, é possível acompanhar índices vegetativos e da qualidade do solo, identificando eventuais deficiências de nutrientes, possibilidades de otimização no uso dos fertilizantes e combate eficaz a pragas que põem em risco a produção. Essa combinação da conectividade com a Inteligência Artificial deve se destacar bastante a partir do próximo ano.

Combate a fraudes financeiras e apoio às operações bancárias

Lançado no ano passado, o PIX caiu rapidamente nas graças dos brasileiros, atingindo a marca de 105,2 milhões de usuários pessoas físicas e 7,4 milhões de empresas no primeiro ano de operação. Em pouco mais de um ano, o método de pagamento desbancou os tradicionais DOC e TED, tirando do mercado aproximadamente R$40 bilhões em espécie, cerca de 10,5% de todo o dinheiro em circulação no país.

Diante da digitalização das operações financeiras e aceleração do comércio eletrônico por conta da pandemia da Covid-19, tornam-se ainda mais importantes os cuidados com segurança e privacidade. Além de ferramentas e recursos, é importante cuidar da educação dos usuários, afinal, grande parte das fraudes não ocorre por falhas tecnológicas, mas por engenharia social.

Segundo a Kaspersky, 20% dos brasileiros já sofreram com tentativas de phishing, técnica cujo objetivo é enganar usuários para obter suas informações confidenciais, como senhas e dados sensíveis. O alto índice coloca o Brasil no topo do ranking global, em que a média é de apenas 13%.

A Inteligência Artificial é altamente eficaz na detecção de padrões comportamentais e uma importante aliada no combate a fraudes, pois os sistemas “reconhecem” o usuário através de dados como ticket médio, lojas favoritas, horários de consumo preferencial e categorias de despesa, por exemplo.

O apoio da Inteligência Artificial seguirá em alta, estabelecendo análises precisas em milissegundos para evitar transações fraudulentas, contribuindo fortemente para a redução de riscos e custos operacionais no setor bancário, o que tende a retornar de alguma maneira na forma de benefícios ao consumidor, considerando que os custos do risco operacional tendem a ser distribuídos entre os usuários.

Suporte aos resultados do varejo

Ordens de lockdown e fechamentos parciais afetaram fortemente o varejo físico durante a pandemia, o que impulsionou a adesão acelerada ao digital numa tentativa de estender o tempo de vida de muitos negócios. Para o próximo exercício, espera-se que a Inteligência Artificial siga auxiliando os varejistas por meio da identificação das abordagens mais eficientes para aumentar margens de lucro e vendas de produtos ou serviços.

Aliada a enormes quantidades de dados históricos sobre clientes e transações comerciais, a Inteligência Artificial tem grande potencial para contribuir com resultados positivos, apresentando aos gestores estratégias baseadas em dados para definir as melhores ofertas.

Personalização da experiência do cliente, gestão de estoques, identificação de padrões e tendências comerciais, mais agilidade e eficiência no atendimento às demandas do público são algumas das formas como a tecnologia influenciará positivamente nos resultados do varejo.

Tudo ainda mais inteligente

Os avanços seguirão uma tendência de crescimento no sentido da implementação da IA “em todas as coisas”, desde as cidades e casas inteligentes, passando por soluções de acessibilidade, medicina, estudos climáticos, roteirização, indústria e marketing, até uma infinidade de aplicações possíveis.

O 5G, com altas taxas de transmissão de dados e baixíssima latência, também potencializa a utilização da tecnologia de formas diversas. Quanto a carros, barcos e aeronaves autônomos, por exemplo, caminhamos rumo a índices mais altos de eficácia, seja na hora de traçar rotas com segurança e comodidade, ou na utilização da IA para evitar acidentes provocados por falha humana, que chegam a representar 90% dos casos.

É esperado que o Mayflower Autonomous Ship, primeiro navio autônomo, cruze o atlântico após a tentativa frustrada ocorrida em junho deste ano. Além disso, tendências indicam que, caso você ainda não tenha um assistente pessoal com IA até agora, muito provavelmente irá adquirir o primeiro em 2022.

IA de baixo código

Curiosamente, o cenário tecnológico sofre com um desequilíbrio entre oferta e demanda de profissionais qualificados. Há mais vagas de trabalho do que especialistas disponíveis para preenchê-las, o que representa um problema grave diante de um avanço implacável da tecnologia. Os desafios impostos pela escassez de especialistas tendem a levar ao crescimento da IA de baixo código (low-code) ou sem código.

Elencada pela Forbes como destaque para 2022, a tecnologia low-code já havia sido reconhecida anteriormente pelo Gartner como o futuro das empresas, a ponto de gerar expectativa sobre sua utilização e representar 65% de todo o desenvolvimento de aplicativos nos próximos 3 anos.

Apesar de relativamente nova, a utilização de baixo código poderá, por exemplo, ajudar empresas a manterem sua agilidade e dinamismo, reduzindo o tempo de entrega enquanto limitam os erros com ciclos de produção de software.

Processamento de linguagem natural

Ao analisar o teletrabalho, além das polêmicas discussões sobre o que será o “modelo do futuro”, híbrido, presencial ou a distância, é possível observar o impacto do isolamento social sobre a saúde mental de profissionais de diversas áreas. Medo e incerteza sobre os possíveis efeitos da crise na economia e na vida pessoal estiveram presentes enquanto muitos de nós tivemos de nos ajustar a uma realidade que reduzia o mundo a um espaço entre quatro paredes.

Neste cenário complexo, em que um gigantesco número de pessoas precisa de ajuda para superar momentos críticos, o processamento da linguagem natural surge como uma resposta tecnológica. Podemos ver um crescimento na utilização de aplicações para observar e analisar discurso e escrita de pacientes, para prever e monitorar transtornos mentais, por exemplo.

Aumento do interesse das empresas

É claro que o despertar para a urgência na implementação de soluções de IA não se limitaria às áreas da ciência, da saúde e do meio-ambiente. O Gartner prevê um crescimento de 21,3% (US$62,5 bilhões) na receita mundial em softwares de IA em comparação a 2021, e as empresas representam uma fatia cuja adesão à Inteligência Artificial vem aumentando.

Ainda que empresas tenham interesse em IA, apenas 48% dos CIOs ouvidos pelo Gartner já implantaram tecnologias de IA e machine learning ou planejam fazê-lo nos próximos 12 meses. Para os analistas da renomada consultoria, o mundo ainda levará cerca de 4 anos para que metade das organizações alcance ou supere o que descrevem como o “estágio de estabilização” da maturidade de IA.

O ano de 2022 tende a ser marcado por uma busca ainda maior das empresas com o objetivo de expandir suas aplicações de IA, afinal, a tecnologia é um meio eficiente para reduzir custos, compreender o consumidor, fortalecer a identidade do negócio, melhorar serviços e favorecer a tomada de decisão estratégica.

Implementar e amadurecer a cultura data driven nas organizações para identificar o problema de negócios a ser tratado com os profissionais certos, capazes de construir de uma resposta tecnológica, são pontos para provocar a revolução no status quo e nos resultados das companhias, gerando, de certa forma, um impacto positivo global.

O Gartner pontua como principais categorias de destaque com crescimento nos gastos em IA:

  • Gestão do conhecimento: 31,5% e US$ 7.189mi
  • Assistentes Virtuais: quase 15% e US$ 7.123mi
  • Veículos autônomos: mais de 20% e US$ 6.849mi
  • Local de trabalho digital: 20% e US$ 4.309mi
  • Dados de múltiplas fontes: 19,8% e US$ 4.717mi

Vale lembrar, diante de qualquer análise sobre tendências, que a pandemia da Covid-19 nos provou que precisamos estar sempre atentos, preparados para ajustar as velas diante do inesperado. Então, monitorar constantemente o mercado e as variáveis que o influenciam é um hábito que estará sempre em alta, e, definitivamente, não podemos deixar de lado.


Autores

  • Gabriel Fernandes – Engenheiro de Dados – Administrador (Uniasselvi).
  • Pedro Almeida – Cientista de Dados – Estatístico pela UFPB, Mestrado em Estatística pela UFPE, Doutorado em Estatística pela UFPE.
  • Saul Souza – Cientista de Dados – Estatístico pela UFPB, Mestrado em Modelos de Decisão e Saúde pela UFPB, Doutorado em Estatística pela UFPE.
  • Suzi Campanha – Cientista de Dados – Eng. Mecânica pela Unesp, especializada em Sistemas de Informação.

Autor

Hartb

Inteligência humana gerando inteligência artificial.

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